quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A LUMINOSA HISTÓRIA DO PRÍNCIPE QUE SENTIA FALTA DE TUDO

por Inajá Martins de Almeida

Sob a aparência de um conto tradicional, terno e emotivo, dotado de um finíssimo sentido de humor, descobrimos um texto cativante que, ao explorar as razões da falta de sentido existencial, o vazio permanente que somos incapazes de preencher com bens materiais, nos conduz com delicadeza e extrema lucidez à essência do que pode constituir uma vida plena.

Revela o autor que não há falta maior do que a de Deus, através da voz do humilde e sábio servidor do Rei, que também nos ensina que a plenitude serena pode nascer unicamente do encontro íntimo consigo mesmo.

"O que falta não é tempo, mas saber apreciá-lo".

A partir da leitura, passamos a ter uma nova visão da vida, das situações adversas que nos cercaram e nos cercam. Simplesmente surpreendente. O mais lindo e maravilhoso para mim, foi que o recebi de presente no Dia das Mães - 09 de maio de 2010 - por meu filho. Posso dizer com todas as letras, que foi o presente que mais gostei ter recebido em toda minha existência, claro dele, pois para uma mãe um filho como o meu não pode ser maior presente.   




comentários de Inajá Martins de Almeida
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Schecroun, Jacques. A luminosa história do príncipe que sentia falta de tudo: um relato fascinante sobre a carência essencial / Jacques Schecroun; tradução de Giselle Unti. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2010

PONTO A PONTO - Ana Maria Machado

"Era uma vez uma voz
Um fiozinho à toa. Fiapo de voz"
que se juntava a outros fiozinhos e tecia histórias: de rainhas, de príncipes e princesas e quem conta um conto aumenta um ponto e assim o fiozinho de voz tecia.
Até o dia em que a dona do fiozinho de voz não mais quis aquela vida de ponto a ponto e quis que algo fosse diferente. 
Formou outros pontos, foi notícia de jornal e num livro foi parar.  
É o prazer da poesia entre lãs e linhas a se fazer presente. Os fios que tecem a alma da artesã escritora e se encontrava na leitora/bibliotecária que escreve.


comentários de Inajá Martins de Almeida
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Machado, Ana Maria.  Ponto a ponto  /  Ana Maria Machado : coordenação Donatella Berlendis: fotos de Michelângelo Princiotta. - São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 1998  -  (Coleção andorinha).    







MONTEIRO LOBATO O EDITOR DO BRASIL


Amo Monteiro Lobato. Com ele nos aventurávamos em seu Sítio, juntamente com seus personagens: primeiro através das páginas dos livros, depois nas telas em preto e branco e a cores, com o passar, embora já adultos, ele continuava fascinando, com suas histórias instigantes. Emília símbolo da  irreverência e rebeldia. Que bom que ele estivesse farto da escrita para marmanjos: 

"Ando com idéias de entrar para esse caminho: livros para crianças. De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça! Mas, para crianças, um livro é todo um mundo... Tenho em composição um livro absolutamente original - Reinações de Narizinho -... Estou gostando tanto, que brigarei com quem não gostar. Estupendo Rangel! E os novos livros que tenho na cabeça são ainda mais originais. Vou fazer um verdadeiro rocambole infantil, coisa que não acaba mais". 

Em outro trecho fala de descaso por aqueles que serão o futuro desta nação: 

"Uma coisa sempre me horrorizou: foi ver o descaso brasileiro pela criança, isto é, por si mesmo, visto como a criança não passa de nossa projeção para o futuro...". 

Seus textos são atualíssimos, tanto que:

"Fala-se em Pátria, hoje mais do que nunca. Jamais o dispêndio de hinos, versos, conferências, artigos, livros, boletine e discuros foi maior. Mas, no fundo de tudo isso, está a retórica vã, a mentira, a ignorância das verdadeiras necessidades do país. Programa patriótico, e mais que patriótico, humano, só há um: sanear o Brasil"

Eram cartas trocadas nas primeiras décadas do século XX, mas que nos parecem muito familiares aos descasos que ainda vemos em nossos dias. Seus questionamentos, seus alertas quanto a educação ideal leva-o a conclusão de que:

 "... antes de reformarem qualquer coisa ou proporem reformas, os mais adiantados e ilustres líderes educacionais do momento o que devem fazer é reformarem-se a si próprios, isto é aposentarem-se e saírem do caminho" (págs 53/54). "Ah! parece que se chega afinal ao começo... 436 anos para se chegar ao princípio, 436 anos de pré-história... " 

É o desabafa Anísio Teixeira à Lobato, nas correspondências trocadas e registradas nas cinquenta e cinco páginas deste livro, profundo estudo em que Cassiano Nunes, poeta, teatrólogo e ensaísta, considerado por Mariza Lajolo "o nosso maior lobatólogo", a nós disponibiliza. 

Posso concluir também minha indignação pelo desrespeito a natureza, as crianças, aos velhos, a educação - enfim a nós como brasileiros, mas também me consolo, quando leio e transcrevo o que nos fala o autor no referido livro 

"essas palavras de velhas cartas, afortunadamente conservados, plenas de sonho, paixão e indignação, nos revelam que não estão sós aqueles que, no Brasil, se acham determinados a criar uma pátria melhor, em que a educação substitua o primitivismo e o atraso..." . 


É gratificante pensarmos num Lobato que é nosso; que segundo Godofredo Rangel:

"sabia dizer as coisas próprias de um modo próprio, encarando a vida e as coisas de um modo pessoal".

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Nunes, Cassiano.   Monteiro Lobato: o editor do Brasil   / Cassiano Nunes.  -  Rio de Janeiro: Contraponto: Petrobras, 2000.  56 p.

RILKE - CARTAS A UM JOVEM POETA


Rilke, Rainer Maria.   Cartas a um jovem poeta.   /  Rainer Maria Rilke.   Tradução de Pedro Susseking.   Porto Alegre, L&PM Pocket, 2010.

"O poeta mais atual e permanente do nosso tempo." Otto Maria Carpeaux
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Paris, fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke (1875-1926) recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta de língua alemã do século XX, em algumas das suas mais belas páginas de prosa.


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Rainer Maria Rilke (1875-1926), poeta nascido em Praga, é um dos autores de língua alemã mais conhecidos no Brasil. Suas obras, que tiveram grande influência sobre mais de uma geração de poetas, vêm sendo publicadas há várias décadas e sempre despertaram muito interesse. Existem, por exemplo, traduções excelentes de textos seus feitos por alguns dos maiores nomes da poesia brasileira, como a versão de Manuel Bandeira para “Torso arcaico de Apolo”, ou de Cecília Meireles para “A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke”, ou as várias versões feitas por Augusto de Campos, que em 1994 publicou uma coletânea de vinte poemas de Rilke e, em 2001, um novo livro no qual acrescentou mais quarenta poemas traduzidos.


  
Leia mais:




Uma passagem que a mim chamou muita atenção quando ele diz:
 "ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante a tempestade da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo".
Noutro ponto: 
"Gosto de saber que meus livros estão em suas mãos". 


Os encontros são interessantes. As inspirações nos levam às leituras que nos fazem bem a alma. 

Estávamos pois no SESC São Carlos e adentramos sua bela biblioteca. Um pequenino livro, mas de substancial conteúdo veio ao meu encontro. Dias depois pudemos adquiri-lo e eis que dele pude me apropriar de algumas falas, dentre tantas que o autor leva seu jovem poeta pensar sobre sua vida de escritor. 

Aliás, um dos melhores presentes e amigo secreto - de Elvio para Inajá - confraternização Natal 2010. 

De minha parte ficaram-me suas releituras e interpretações, quantas. De 2010 até este momento, inúmeras...
Transcrição e comentários de Inajá Martins de Almeida
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Rilke, Rainer Maria.   Cartas a um jovem poeta.   /  Rainer Maria Rilke.   Tradução de Pedro Susseking.   Porto Alegre, L&PM Pocket, 2010.

COMO AS ORGANIZAÇÕES APRENDEM

TEXTO EM CONSTRUÇÃO


DiBella, Anthony J. e Nevis, Edwin C.   "Como as organizações aprendem: uma estratégia integrada voltada para a construção da capacidade de Aprendizagem.    Coord.da Tradução Claudiney Fullman; [tradução Flávo Kuczynski].   São Paulo: Educador, 1999.

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A leitura desta obra prima da literatura empresarial, desde suas primeiras abordagem tocaram-me diretamente. Desde o início de 2000, quando numa biblioteca universitária em que eu trabalhava, encontrei o livro em suas estantes, logo adquiri um exemplar para mim e não me distancio de sua leitura; vez ou outra volto aos grifos, refaço outros, transformo em informação aos jovens a quem ministro aulas. Esta, agora quer suas notas aplicadas neste espaço.  

Algumas frases dentro do contexto, saltam-me: 
- patrimônio de conhecimento  -

"Empresas e organização que são incapazes de reter experiência, precisam reinvestir recurso para ganhar novamente a competência perdida, quando a aprendizagem não ocorre ao nível organizacional".    (pág.30)

domingo, 17 de dezembro de 2017

O HOMEM À PROCURA DE SI MESMO - Rollo May

TEXTO EM CONSTRUÇÃO

May, Rollo. - O homem à procura de si mesmo.   Tradução Aurea Brito Weissenberg.   19ª edição.   Vozes, Petrópolis, 1993.

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Outros  Contos é um lugar em que encontramos toda sorte de livros. Há tempo Élvio vem procurando pelo autor Rollo May. Ei-lo aqui referenciado. A tarde de 14/12/2017 nos fora propícia ao encontro. 

Aos poucos a curiosidade aguça minha mente. Adentro seu conteúdo. O sumário me leva às partes: 

I- Nosso Dilema 
II- A redescoberta do self 
III- As metas da integração

Percorro folha a folha. No prefácio o autor Rollo May já nos diz:

"Uma das poucas alegrias da vida numa época de ansiedade é o fato de sermos forçados a tomar consciência de nós mesmos". (pág.9) ... ademais

"Esta obra não pretende substituir a psicoterapia...  Nem é um manual para autodidatas...  e que

"todo bom livro é uma obra de aperfeiçoamento pessoal, ajudando o leitor, que ali vê sua imagem e experiências projetadas, a estudar sob nova luz os seus problemas de integração". (pág.10)

Percebo que buscamos num livro, principalmente quando se trata de psicologia, psiquiatria, algo que nos leve a um encontro pessoal e solução para casos pendentes dentro de nosso ser. 

Capítulo I - A solidão e Ansiedade do Homem Moderno (págs.13/38)

Já encontrara em Viktor Frankl o tal VAZIO EXISTENCIAL; agora em título, letra grande - GENTE VAZIA - problema fundamental do homem , em meados do século XX, é o vazio. (pág.14). 

Assusta-me, pois percebo que a data de copyright é de 1953 e que T.S. Eliot já escrevia em 1925 o que segue - pág. 16:

Somos homens vazios
Somos homens empalhados
Uns nos outros apoiados
Cabeça cheia de palha, ai!
Forma sem feitio, sombra sem cor, 
Paralisada força, gesto sem ação...

Estou apenas iniciando o estudo que pretendo levar avante. As páginas me reservam expectativas tantas, que a releitura se fará necessária tantas vezes.  

Não há como deixar de passar por cima das colocações do autor. Aqui vejo na página 22 que "o ser humano não pode viver muito tempo no vácuo. Se não estiver evoluindo em direção a alguma coisa acaba por estagnar-se; as potencialidades transformam-se em morbidez e desespero e eventualmente em atividades destrutivas".

Percebemos que nos distanciamos uns dos outros; jovens não acatam ordens; casais se distanciam ante discussões tolas e infundadas. Daí na mesma página, Erich Fromm observa  que nos submetemos a "autoridades anônimas", ao invés das autoridades eclesiais ou das leis morais. Vejo a tristeza do nosso tempo aqui. Chegamos ao ponto em que o apóstolo Paulo alerta que haveria tempo em que o amor se esfriaria.

"Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará" - Matheus 24:12

Assim, os "homens "empalhados"  acabam por tornar-se ainda mais solitários, por mais que se apoiem nos outros, pois gente vazia não possui a base necessária para aprender a amar" - pág. 29

Alarmante contudo o que o autor descreve logo a seguir. Tenho de registrar na íntegra:

"Quando uma nação é presa de insuportável crise econômica e se encontra vazia psicológica a espiritualmente, o totalitarismo surge para preencher o vácuo e as pessoas vendem a liberdade pela precisão de livrar-se da ansiedade demasiado intensa". ... e continua  "quando um grupo sofre continua ansiedade sem tomar medidas eficazes, seus membros, mais cedo ou mais tarde, voltam-se uns contra os outros". (pág. 31)

Realmente é o que estamos vivenciando em dias atuais. Por todos os cantos há um distanciamento e uma falta de entendimento pairando no ar. Por qualquer coisa perde-se o desejo pela convivência. Quando não a vida passa a valer bem pouco.

Ao final do capítulo I, o autor nos diz  sobre a finalidade central da obra, qual seja: "reforçar a consciência de nós mesmos, encontrar forças integradoras que nos permitam resistir, apesar da confusão que nos rodeia". (pág. 38)

Capítulo II - As Raízes da Nossa Doença - págs 39/66


Capítulo III - Tornar-se Pessoa - um empreendimento - págs. 69/97


Capítulo IV - A luta para Ser - págs. 98/117


Capítulo V - Liberdade e força interior  - págs. 121/

Capítulo VI - A consciência criativa - págs. 145/

Capítulo VII - Coragem a virtude da maturidade - págs. 186/

Capítulo VIII - Homem, o que transcende o tempo  - págs. 211/




DESPERTE PARA A VIDA - Bill Gates Sr.

Gates, William Henry Gates - "Desperte para a vida": reflexões sobre a bênção de existir  / Bill Gates Sr, com Mary Ann Mackin; Tradução: Gabriel Zide Neto - Rio de Janeiro: BestSeller, 2010.   


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Interessante notar o que um livro pode fazer por nós. O que esses encontros, livros, autores, leitura e leitores podem significar. Aqui, neste momento em que o ano está a se findar, fecho com chave de ouro, com dois livros demais importante para este final de ano; de um lado "Desperte para a vida" arrebatou-me o sentimento puro de família, de mãe e filho, mais especificamente de filha e pai - meu pai...; de outro "O homem a procura de si mesmo", do psiquiatra Rollo May (este ficará para outro comentário posteriormente). 

Transcreve trecho editado pela Livraria Folha o qual julguei de importância para leitores que aqui vierem encontrar pouso, mas são as minhas próprias palavras, meu sentir para esse encontro, é que almejo declinar neste instante, assim...

Analiso o livro em si: capa a me chamar atenção pelo formato diário com o fecho no meio, como a desvendar mistérios em seu interior - sim quantos a nos encontrar - percorro suas páginas, numa leitura rápida e, grita-me 

"Tudo começa quando nos apresentamos" - (pág. 194)  


Mas, volto ao início.  O prefácio é o filho a caracterizar o pai e a dar-lhe o devido lugar:


"Na próxima  vez em que alguém lhe perguntar se você é o verdadeiro Bill Gats, espero que responda "sim". E que diga a eles que você é todas as coisas que este luta para ser" (pág. 13)

Lembro meu pai e o quanto diziam minha semelhança nele: o escrever,  a organização, o gosto pelos livros, música, arte, enfim, havia muito de DNA seu em mim, entretanto eu queria me fixar como eu mesma, o que me distanciou tantas vezes; hoje decorridos anos de separação inevitável - maio de 2012 - a saudade me faz fazer um caminho às minhas origens e procurar aquele pai que pensei distante - escritor, historiador, esposo e pai amoroso, zeloso, cuidadoso, ativista em causas públicas e sociais; a tantos inspirou e continua inspirar. Seus trabalhos brilhantes e gigantescos não encontraram até os dias presentes formatação tal qual - Álbuns de Araras, Araraquara, Rio Claro, Futebol e outros tantos. São minhas memórias me me vem latente e gritam palavras a se perpetuarem neste espaço.

"Quando Trey (Bill Gates - filho) era bem pequeno, eu o levava com frequência à biblioteca. Ele adorava ler, e em geral precisava re tornar mais de uma vez aos livros que já lera para aprender mais alguma coisa". (pág. 83)    

Jamais meu pai me levou a uma biblioteca, mas os livros estavam em nossa casa sempre. Belas estantes. Logo percebi o que me acompanharia vida toda - a profissão fora encontrada, sem que o percebesse, dentro das quatro paredes da ampla sala, em que uma vasta estante agrupava livros de toda sorte. Meu prazer, ao adentrar o ginasial, era organizar os livros, numa sequência que eu imaginava a mais lógica, dentro da cabeça de uma adolescente de 12 anos. - Enciclopédias, dicionários, história, geografia, ciências, literatura, tudo disposto de forma clara a rapidamente ser encontrado, mesmo sob pretexto de minha mãe que alertava que meu pai poderia ficar bravo com atitude sem seu consentimento, ao que lhe respondia que assim estava mais de acordo e que ele iria aprovar sim, o que realmente acontecia. Tornei-me Bibliotecária e Documentalista anos depois, ao gosto de meu pai que me aplaudia em silêncio.

E a leitura prossegue entre meus apontamentos particulares e o pai que fala e nos disponibiliza o texto. Aqui na entrevista que concede a repórteres diz sobre o não saber "como é que se cria um filho assim? Qual o segredo" ; realmente segredo ...(pág. 15)

Eu a me colocar como filha de um grande homem - historiador, escritor, editor de muitas obras em livros, textos em jornais - eu a querer espelhar-me, ainda que decorrida a distância, em seu trabalho. Ao resgatar todo o cabedal de conhecimento amealhado em décadas frutíferas, quase a se perder pelo tempo, procuro agrupar o máximo possível um trabalho que, de tanto profissional que fora, não fazia parte do autor dos projetos - era entregue a cada passo - com isso, mantinha a família - esposa e dois filhos - em boas escolas, boa casa, roupas, e o melhor de tudo, o ensinamento maior sobre o caráter e a honra de se ter um nome a preservar - ele com certeza o teve e jamais deixou-se afetar por contrários e desafetos que a profissão acarretou. 

Meu pai, com que gratidão posso agradecer a Deus por ternos aproximado e ser você o escolhido para meu pai; o que não dizer de minha mãe, que, embora houvesse perdido a primeira filha, dado problemas de coração que a acometia, ousou querer-me e anos após sob severos tratamentos, pude vir a luz e aqui estou para contar...  

Meu pai trabalhava duro, tanto em seu ideal de historiador e escritor, quanto para manter a família, seu ideal que o levou a longevidade em casamento, união, amizade com a esposa e filha que lhe ficou. Sessenta anos de casados, 94 anos de idade, dos quais compartilhei 62 anos. Mais tivéssemos, poderíamos estar contando juntos essas proezas. 


"Para se conseguir qualquer coisa de verdadeiro significado na vida, é preciso trabalho duro".  (pág. 27)

Na vida poder encontrar Possibilidades Infinitas (pág.33), meu pai encontrou e me passou essa garra; ademais se encontro em Bill Gates pai tanta similaridade é porque meu pai tinha e conseguiu me transmitir princípios que os trago a estas linhas;


"Contribuir com nossos dons e talentos para qualquer carreira que seguirmos". (pági.44)

Ademais, em minhas manhãs de leitura, pude reflexionar bastante e concentrar meu próprio sentimento. Talvez me estenda mais do que o normal, mas acontece que o livro inspirou-me sobremodo  dado o envolvimento de um pai que atingira patamares altos em sua nação e levara o filho a tal júbilo. Em proporções que não se podem comparar, cada qual pode contribuir a seu modo, como o autor irá descrever linhas afrente. 

De minha parte o capítulo "Encontre um significado no trabalho" - págs. 44/49), percebo o quanto meu pai está inserido neste contexto, não obstante esta que escreve, ademais...


"Uma carreira parece desdobrar-se em ritmo e direção próprios, fora de controle absoluto do dono"...   

"a vida joga oportunidades e desafios em nosso caminho. E nosso futuro se forma pela maneira como nós respondemos a eles... (pág.46)

mais ainda...

"nunca tenha medo de pensar grande" (pág.51)

e

"Crie a mudança que você gostaria de ver acontecer" (pág. 59)
              
Esta entretanto, fala diretamente a mim, quando percebo que ele - Bill Gates Sr - está a escrever e ser fonte de inspiração a tantos em volta do mundo. Eu sou minha primeira leitora e escritora. Escrevo-me para poder-me ler em algum momento, ou, quem sabe, alguém possa ler em algum momento, em algum lugar...

E o livro não se esgota em mensagens a mim; agora 


"Faça sua vida ser sua mensagem" - pág.67

porque : 


"Um único indivíduo com uma paixão ilimitada por uma grande ideia pode melhorar muito a vida das pessoas" - pág. 76            




O livro todo é uma incessante inspiração; inspirador o autor adentra nosso mais íntimo. Faz-nos realmente despertar para a vida; reflexiona-nos à bênção de existir. Não há dúvidas de que meu ano 2018 aguarda surpresas e realizações. 


Este dia 17 de dezembro de 2018 será marcado como um divisor de águas, como se diz popularmente. Mudanças que acontecem no mesmo espaço em que nos encontramos: pintura da casa (que embora não sendo nossa propriedade tem de ser preservada - desde agosto 2009 ocupamos este espaço na cidade de São Carlos); dos móveis; além da aquisição de móveis novos. Tudo a seu tempo. Mas a maior de todas as mudanças, há que ser a  interior - dentro de cada um de nós. É o que tenho lutado por conseguir, muitas vezes a duras penas. 

Breve pausa, pois há muito que comentar sobre o livro, que tanto tem me impactado, desde sua leitura inicial em 11 de dezembro de 2017.

Embora se julgue que o trabalho em equipe seja o mais favorável e desejável, infelizmente nem sempre é o que acontece, inclusive em times de futebol: muitas das vezes o individualismo impera. Mas aqui o autor nos fala que 


"simplesmente não podemos ser bem-sucedidos sem a contribuição dos outros...  Estamos todos no mesmo barco". (pág.123)  

Percorro suas páginas... Há grifos por todos os lados... O espaço aqui torna-se pequeno... Será que haverá leitor paciente para encarar as linhas? Quem sabe. 


Estou na página 138. O título sugestivo: 


"Quanto mais você envelhece mais alto fica".

Penso em minha estatura. Penso na estatura de meu pai que parecia-me minguar ano após ano  e veja que era mais alto do que eu e fora perdendo massa corpórea. Entretanto, sua mente lúcida, seu conhecimento a aumentar-lhe o tamanho da intelectualidade fazia toda a diferença. E uma frase me alegra por demais:

"Uma das vantagens de se envelhecer é que isso dá a vida o tempo necessário para lhe presentear com oportunidades inesperadas". (pág.139)... Assim é que "nos nunca devemos parar de crescer". (pág.141)

Vi meu pai em todo seu tempo de existência a procurar conhecimento através da leitura, dos apontamentos - sempre um papel e lápis a mão. A visão, infelizmente fora a grande vilã para sua vida - não me dei conta. Fora um lapso irreparável para mim. Seu silêncio e o tempo que transcorrera em buscar auxílio - tarde demais. A audição fora outro fator, mas não tão gritante quando a visão. Seu silêncio, sua introspecção servem-me de alerta. Recluso quantas vezes a dialogar com seu passado. Quanta imaginação levara consigo naquele último suspiro. Quem dera pudéssemos estar aqui, agora a confabular nossos mais íntimos sonhos e desejos. Mas... impossível para você, meu pai; vamos tornar possível para mim - resgatar sua lembrança, sua imagem, o homem que não pode  ser esquecido e, se depender de mim, sua filha, não será por certo. 

E posso parafrasear o autor Bill Gates Sr. - ele a dizer "se não fosse por mim, vocês não estariam aqui" ...   eu, neste momento, meu pai - se não fosse você, e minha mãe, eu não estaria aqui...

Jamais pudera imaginar que em duzentas páginas houvera outras tantas. É o que está acontecendo por aqui. Ainda não consegui um ponto final. As páginas me clamam. As frases me encontram. O dia me é convidativo. O sol adentra o espaço. O calor do ambiente não me incomoda. A bagunça não me chama. Tudo tem seu tempo. A gratidão de estar aqui me toca profundamente.    

  









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Em vez de optar por uma existência só de luxos, o ex-advogado William H. Gates, pai do fundador da Microsoft Bill Gates, preferiu usar parte do dinheiro acumulado pela família para praticar a filantropia. Em "Desperte Para a Vida" (Best Seller, 2010), o autor relembra momentos importantes de suas vivências e divide com o leitor as lições que aprendeu ao se tornar especialista em ações humanitárias.
Entre outras revelações, o pai de um dos homens mais ricos do planeta fala sobre a educação de seus filhos. Ele conta que foi Bill Gates, apelidado carinhosamente de "Trey", quem o ensinou a importância da curiosidade e da paixão na busca pela realização profissional.
Bill Gates pai também descreve o que aprendeu ao conviver com líderes mundiais como os ex-presidentes Nelson Mandela (África do Sul) e Jimmy Carter (EUA), a quem dá o crédito de como percebeu o valor do voluntariado.
Por fim, o autor discute o valor do trabalho árduo e da generosidade, atitudes que pratica ao dirigir a Fundação Bill & Melinda Gates. A organização é responsável por sustentar projetos para a produção e distribuição de vacinas em países pobres, desenvolvimento de métodos contraceptivos, pesquisas para o tratamento da AIDS e programas de combate a fome, entre outras iniciativas.
Com "Desperte Para a Vida" , Bill Gates pai espera que suas experiências octogenárias possam inspirar pessoas a fazer a diferença e a se preocupar com o bem-estar dos seres humanos.
Leia trecho...
"Minha mãe era uma pessoa de mente aberta, que não tinha muitas ideias fixas sobre o que minha irmã e eu deveríamos ser quando crescêssemos.
Já meu pai, que era um tanto inseguro devido à falta de educação formal, confortava-se vivendo de acordo com uma série de axiomas indiscutíveis. Axiomas como, por exemplo, o da importância do trabalho árduo, faziam todo o sentido. Mas outros me permitiram ver, desde muito cedo, o mal involuntário que seu pensamento estreito às vezes causava.
Um desses axiomas era o de que "garotas não devem entrar para a faculdade", e essa crença foi uma influência muito restritiva na vida de minha irmã. Mark Twain abordou essa questão de maneira muito interessante ao dizer que "o sinal mais óbvio de inteligência é ter uma mente aberta".
Durante toda minha vida, eu me aproximei de pessoas que tinham uma mente mais aberta.
É claro que também houve outras influências, além da de meus pais. Uma delas foi um professor e técnico de basquete chamado Ken Wills, que convidava a mim e a meus amigos para ir à sua casa toda semana para uma sessão de debates. Ele tinha opiniões muito fortes sobre esportes, política e, principalmente, sobre religião. Ele simplesmente não acreditava nela, nem em Deus.
Embora as ideias dele fossem um tanto assustadoras, suas palestras incutiram em nossa mente a noção de que éramos livres para aceitar os diferentes pontos de vista das pessoas, em vez de simplesmente fazer as coisas como fomos ensinados.
Outra influência foi um professor de psicologia que tive em meu primeiro ano de faculdade, William Wilson. Ter aula com ele era uma experiência de revirar o estômago.
O que causava essa sensação era que a maioria de nossas premissas, opiniões e crenças mais fundamentais era submetida à análise e a uma dissecação crítica. Ele nos mandava sustentar nossas opiniões com os argumentos mais sólidos possíveis e, então, questionar nossas premissas listando argumentos lógicos que defendessem justamente o contrário.
Entre as lições que extraí dessas aulas, estava a de que o fato de algo estar escrito num jornal, numa revista, num livro (e, nos dias de hoje, num site da internet) não quer dizer que seja verdade. E pode haver mais de um ponto de vista válido sobre qualquer assunto - e provavelmente mais de dois.
Posso garantir, sem qualquer sombra de dúvida, que foi nas aulas do professor Wilson que me tornei um ser humano pensante.
Naquela época, acontecia a Segunda Guerra Mundial. No final de meu primeiro ano, eu seria chamado para me apresentar ao Exército e combater. Aprender a pensar com a própria cabeça foi uma lição importante para um jovem prestes a ir à guerra. E, em verdade, eu mal consigo pensar em alguma lição melhor para a vida inteira.
O que aprendi com o professor Wilson ajudou-me a ter a liberdade de acreditar que eu poderia desafiar o status quo, refletindo menos sobre como o mundo era e mais sobre como deveria ser.
E desde aquela época procuro viver dessa maneira. Nesses últimos anos, viajei para alguns dos lugares mais pobres do mundo e percebi, mais uma vez, que muitas coisas não são como deveriam ser.
Em lugares assim, é muito fácil concentrar-se em como as situações são ruins - tanto que você pode sentir-se assoberbado pelo desafio de tentar modificá-las.
Mas tenho de dizer que o que mais vejo são possibilidades. Possibilidades infinitas".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/767458-pai-de-bill-gates-ensina-licoes-de-altruismo-em-desperte-para-a-vida.shtml